Enfim, volume 53
Pequenos grandes lembretes para 2026
Patinar mais vezes, de preferência na Orla, porque ajuda a lembrar que, em meio a tanto barulho, movimento e sujeira, Porto Alegre pode ser bonita.
Limpar o chão do apartamento com mais frequência. Porque o laminado fica mil vezes mais bonito e mais gostoso de pisar descalça.
Gravar mais vídeos da Olívia, mesmo que ela reclame e faça careta. Porque existe graça e beleza na pré-adolescência sim, e não é só a bebezice e a infância que a gente vai querer guardar.
Sair mais com a Olívia também. Não se perder na rotina, não travar no modo de execução. Arranjar oportunidades e fazer o esforço mesmo cansada. Lembrar que ela é uma companhia maravilhosa e você ama viver o mundo com ela.
Ler menos e melhor. Escolher bem o livro, se entregar a ele, fazer valer a pena. Porque não é uma competição, não há metas a bater, e é tão triste ler sem prazer.
Fazer mais perguntas para o Gustavo. Porque ele gosta de responder e você adora ouvir, mas às vezes esquece como é fascinante namorar alguém que só conheceu depois dos 35 e tem uma existência inteira para compartilhar.
Assistir menos séries e mais filmes. Porque você gosta mesmo é da obra completa, redondinha, e está cansada de séries que não sabem aonde vão nem a hora de acabar.
Anotar os filmes que quer assistir. Porque depois você esquece, não atina o que procurar nos catálogos infinitos e nem começa a procurar que é para evitar a angústia do excesso.
Falando em excesso, escapar do Instagram. Porque o tempo é curto e está sempre faltando, mas a mão viciou e você abre o aplicativo sem perceber e rola um feed que não interessa e corre pelos stories sem ver e lá se foram quinze minutos-trinta-uma-hora-e-que-ódio-eu-poderia-estar-fazendo-tanta-coisa-e-estou-aqui-perdendo-tempo-outra-vez.
Fazer mais carinhos na Violeta. Deitar de lado no sofá para que ela se aninhe nas tuas costas do jeito que tanto gosta, sentar no tapete e apoiar o queixo nas almofadas para ver quem pisca primeiro, virar ela de barriga para cima e mexer nas patinhas até ela perder a paciência e tentar te morder. Porque é tão fácil, e tão bom, e vocês ficam tão felizes.
Cozinhar mais. Porque nada se compara à mistura de prazer, orgulho e — sejamos sinceras — espanto que você sente ao comer algo delicioso que você mesma preparou.
Fazer rolinhos de canela com mais frequência. Deixar crescer na geladeira de domingo para segunda e assar para o café da manhã. Porque eles perfumam o apartamento inteiro e não tem coisa melhor para começar a semana.
Servir à mesa. Porque a louça nova que a tua mãe te deu no Natal é linda e você sabe que até melhora o sabor da comida, sem falar que quer carregar contigo a alegria de abrir a caixa do primeiro aparelho de jantar que ganhou na vida.

Eu amo um ano novo. Conto os dias e os minutos pra chegar, embarco totalmente na ideia do recomeço, acordo com (muito) mais listas e metas do que o recomendado. No entanto, percebo também uma certa angústia que me acompanha nos primeiros dias de janeiro, imagino que fruto dessa pressão autoimposta. Escrevi esta lista B (a lista A — a dos planos “sérios” — segue escondidinha no planner) pra me lembrar das tantas coisas que muito me importam e estão mais ao meu alcance.
Pra você que me lê, quero desejar um 2026 feliz — e cheio de pequenas e grandes alegrias ✨
O que estou lendo: “Mas durante a noite toda não conseguira despregar os olhos de Sally. Era de uma beleza extraordinária, do tipo que mais a atraía, morena, de olhos grandes, com essa qualidade que, por lhe faltar, sempre despertava sua inveja — uma espécie de abandono, como se ela pudesse dizer o que quisesse, fazer o que quisesse.”
Virginia Woolf, Mrs. Dalloway (o livro do mês do Clube da Palavra Mágica)
O que estou fazendo: para encerrar 2025, meu conto “Deixa chorar” foi finalista do Prêmio Anna Maria Martins, oferecido pela União Brasileira de Escritores.
Da sinopse: O que acontece quando o apoio não vem e a vigilância de uma mãe, levada ao limite, é interrompida? Presa na exaustão do puerpério, Priscila é atormentada por pensamentos obsessivos de morte e abandono. Guto, seu marido, convida o leitor para confidente e narra sua irritação e o consequente afastamento diante dos medos da esposa.
É um conto de que gosto bastante (Guto foi meu primeiro narrador masculino e me diverti demais dando voz a ele) e vai ser publicado numa coletânea muito legal ainda este ano. Quando souber mais, compartilho com vocês 😊




Adorei a lista! Não sou a que mais se aventura na cozinha, mas este ano também quero preparar mais quitutes (acho que em algum momento vou te pedir a receita dos rolinhos de canela!).
Feliz novo ano, Fer! Parabéns pelo conto finalista e que venham muito mais sucessos ao longo de 2026!
Espiando daqui, um mundo de infinitas e boas possibilidades ☺️☺️☺️
Que se realizem essas e outras não imaginadas 🎁
Um lindo ano pra nós 🍋